E Fora Dos “Storys”, Seu Filho Está Bem?

As redes sociais impactaram diretamente na estrutura da nossa sociedade, principalmente na forma em que as relações são estabelecidas. Apesar das oportunidades de inovação, aprendizado, criatividade que a internet possibilitou, estudos mostram os efeitos prejudiciais que o aumento do uso das redes sociais está tendo na saúde mental. Um estudo da Universidade de Oxford revelou que o vício em internet tem relação com o comportamento de automutilação e suicida. Um fato preocupante, visto que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29.

Os usuários mais frequentes das redes sociais são os jovens entre 16-24 anos que não conheceram um mundo sem a internet, mais conhecidos como “nativos digitais”.  Consequentemente são os que mais sofrem com os efeitos negativos do uso das telas do celular e do computador. Segundo a instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health (RSPH), o vício em redes sociais afeta cerca de 5% dos jovens, sendo descrito como mais viciante do que cigarro e álcool. Este mesmo estudo pontuou os principais efeitos nocivos do uso abusivo de redes sociais (mais de 2 horas por dia): aumento da ansiedade e depressão, desregulação do sono, problemas em relação a imagem corporal e bullying digital.

A necessidade de busca de aprovação virtual – busca por likes e seguidores e a sensação de que a vida dos outros é mais interessante gera sentimentos de depressão e ansiedade. Além disso, gera também a exposição desse adolescente que não sabe os limites do que é público e do que é privado. Essa exposição pode acabar no cyberbullying – bullying digital que é um tipo de violência que expõe e humilha a vítima gerando diversos danos psíquicos e sociais.

As expectativas irrealistas estabelecidas pelas redes sociais têm um forte impacto em como, principalmente as meninas, avaliam sua imagem corporal. A pesquisa mostra que 9 em cada 10 adolescentes estão insatisfeitas com sua própria imagem. As constantes comparações e incentivos para a mudança estética geram um padrão inalcançável e perverso acarretando o aumento do nível de baixa autoestima entre as mulheres.

O celular é normalmente a última coisa que essa geração olha antes de dormir e a primeira coisa ao acordar. O uso das redes sociais tem uma associação direta na má qualidade de sono. Um em cada cinco jovens acorda durante a noite para verificar mensagens nas redes sociais.  Além disso, a luz de LED influencia negativamente nos processos que desencadeiam a sensação de sonolência. O resultado disso é que um sono insatisfatório pode levar a impactos negativos na saúde mental e a saúde mental prejudicada leva a um sono insatisfatório.

Neste setembro amarelo precisamos estar atentos e estabelecer limites para o uso da internet com o objetivo de preservar e cuidar da saúde mental dos jovens. É necessário estabelecer uma idade mínima para criar uma conta nas redes sociais. As principais redes como Instagram e Facebook adotam a idade mínima de 13 anos. Ainda, é importante criar regras para um uso saudável como: estabelecer horários específicos para o uso, restringir sites inapropriados e monitorar os conteúdos acessados.

Além de restrições é importante que pais, responsáveis e comunidade escolar estejam prontos para dialogar e conscientizar sobre os perigos e armadilhas da internet. Ensinar sobre o cyberbullying, sobre fakenews e sobre os perigos de conversar com estranhos, mandar fotos e marcar encontros. Podemos utilizar todos os benefícios que a internet nos proporciona, mas devemos cuidar para que essa ferramenta não se torne prejudicial.

Referências:

Marchant A, Hawton K, Stewart A, Montgomery P, Singaravelu V, Lloyd K, et al. A systematic review of the relationship between internet use, self-harm and suicidal behaviour in young people: The good, the bad and the unknown. PLoS One. 2017;12(8):e0181722. doi: 10.1371/journal.pone.0181722.

Royal Society for Public Health. Social media and young people’s mental health and wellbeing. London: Royal Society for Public Health; 2017. 32 p. [cited 2018 Nov 23]. Available from: https://www.rsph.org.uk/uploads/assets/ uploaded/62be270a-a55f-4719-ad668c2ec7a74c2a.pdf

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