BRASÍLIA (08/05/2026) – Cinco salvas de tiros e o toque cadenciado de um sino histórico interromperam o cotidiano do Quartel do Comando-Geral (QCG) na tarde desta quarta-feira (7). O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) reuniu a tropa e autoridades para uma dupla homenagem: relembrar os heróis da explosão da Ilha de Braço Forte, ocorrida há 72 anos, e condecorar militares que, em operações recentes, honraram o mesmo compromisso de sacrifício.
O Elo entre o Passado e o Presente
O fundamento desta solenidade anual remonta à madrugada de 7 de maio de 1954, na Baía de Guanabara. Naquela data, guarnições enfrentavam um incêndio em um depósito de munições da Marinha quando uma detonação em cadeia vitimou 17 bombeiros — o maior registro de perdas humanas em uma única operação na história do serviço de bombeiros no Brasil.
Entre os sobreviventes daquela tragédia estava o Sargento Reformado José Edílio de Assumpção, o “Sargento Braço Forte”. Seu relato, preservado na obra “Muralha de Heróis” do Coronel Fernando Girão, humaniza a técnica e o sofrimento daquela noite. Mesmo ferido e projetado ao mar pela explosão, Edílio demonstrou o espírito de corpo ao guiar um companheiro com as mãos quebradas através da correnteza até o resgate. Sua trajetória de resiliência, que incluiu o retorno ao serviço mesmo após 30 dias de hospitalização, serve como o alicerce moral para as homenagens prestadas hoje.
Ritos de Caserna: A Chamada Nominal
Durante a cerimônia, o pátio do QCG foi palco de um dos ritos mais rígidos da tradição militar: a chamada nominal. Conforme os nomes dos 17 mortos de 1954 eram anunciados, um militar da ativa respondia, em voz alta: “PRESENTE!”. O brado sinaliza que a identidade da corporação permanece atrelada ao sacrifício daqueles homens e que a memória do Major Gabriel e sua tropa não foi apagada pelo tempo.
Reconhecimento e a Medalha Sangue de Brasília
Conectando o heroísmo histórico aos desafios atuais, a solenidade reservou o momento ápice para a entrega da Medalha Sangue de Brasília. A comenda é destinada aos militares que sofreram ferimentos ou lesões graves no cumprimento da missão, vertendo o próprio sangue em prol da sociedade candanga.
Neste ano, cinco bombeiros militares foram agraciados, simbolizando a continuidade da bravura do Sargento Edílio nas ruas do Distrito Federal:
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1º Ten. QOBM/Comb. David Dias Durães;
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SubTen. RRm. José Carvalho Batista;
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2º Sgt. QBMG-1 Willian Ribeiro Veloso;
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3º Sgt. QBMG-1 Elias Ferreira Sabiá Júnior;
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Cb. QBMG-1 Matheus Gonçalves Villani.
A entrega desta medalha na mesma data da tragédia da Ilha de Braço Forte reforça a natureza intrínseca da profissão: o perigo enfrentado em 1954 permanece presente em cada sirene que ecoa em Brasília.
A cerimônia contou com a presença do Comando-Geral, oficiais, praças e familiares, reafirmando o compromisso do CBMDF com a guarda de suas tradições e a valorização inabalável de seus integrantes.
*Com informações históricas do livro “Muralha de Heróis”, do Cel. Fernando Girão.








